António Joaquim Carpelho Saragoça nasceu em Igrejinha no dia 16 de Outubro de 1941. Teve uma vida atribulada, desde os tenros 5 anos de idade, altura em que ficou com uma perna fragilizada, para sempre. Aos 9 anos sai da Igrejinha para ir trabalhar.
Viveu um tempo em que a miséria estava normalizada nas classes trabalhadoras rurais. Andou a pé descalço e frequentou a escola, porque foi obrigado pela Lei, aos 11 anos de idade. Terminada a 4ª classe, saiu da escola e enfrentou diversas dificuldades, nomeadamente no que toca a arranjar trabalho, devido ao problema físico que tinha.
“Fiz a 4ª classe e saí
Queria a vida continuar,
Mas de tanto lavrador ouvi:
Tu não podes trabalhar”
Conta que, depois “andou por aí às voltas” como quem diz ter percorrido muitos lugares, até se ter fixado na localidade de Ilhas, no concelho de Arraiolos, há 57 anos atrás, onde reside.
Foi ganadeiro, pastor, vaqueiro, servente e também cauteleiro. Mas foi do comércio que fez vida, como comerciante, proprietário de uma mercearia na terra que ainda hoje o acolhe.
Quando saiu da Igrejinha, não tem memória das Festas pois não eram uma missão para ele que andava preocupado em combater a miséria e ter o que comer.
Desde os 15 anos de idade que faz décimas, mas diz que o seu irmão mais velho, com quem também aprendeu, era um ás nessa arte “tinha mais consoante, mais fundo”. Recorda também que “nesse tempo andavam a vender quadras aí por todo o lado, nas festas, nas feiras e de porta em porta. Fui comprando, aprendendo e fazendo”
No ano de 1983, lá foi então às Festas de Nª Senhora da Consolação, pela primeira vez. Foi dizer umas décimas, influenciado também por um amigo de criação, e logo nesse ano ganhou um prémio destronando um habitué, ainda hoje decimeiro também e, de quem é amigo. Pelo fato de ter ganho um prémio por as suas décimas terem sido consideradas as melhores, o que hoje já não acontece, decidiu logo ali que no próximo ano já não ia participar. “Sou ao contrário dos outros!”, explica. Passado alguns anos, retomou a sua participação no ponto alto das Festas, dizendo as décimas de sua autoria e desde então até hoje tem mantido uma participação regular.