As Festas
…..Dos tempos mais contemporâneos das Festas em honra de Nª Srª da Consolação, salientam-se as décimas à Virgem Santa, como o ponto alto das Comemorações, porém não conseguindo situar cronologicamente, como e quando se terá iniciado esta prática. Recorrendo à memória dos decimeiros entrevistados, participantes na Festa em 2022 e com quem se foi falando até à publicação deste trabalho, é possível desenhar o ritual desta prática cultural única na região e no país, não obstante Genésio Pontes ter informado que tinha na ideia de que também em Santa Justa, no concelho de Arraiolos, uma outra vez foram ditas décimas à imagem.
Dos testemunhos recolhidos, sobretudo junto dos decimeiros com mais idade e que mais têm participado nas Festas, Genésio Pontes, Jacinto Baixinho, António Saragoça e Francisco Fonseca pode concluir-se que as Festas, pelo menos desde a década de 30 do Séc.XX se têm realizado no Largo da Igreja e obedecendo quase sempre ao mesmo figurino.
As famílias partiam de casa para o terreiro da Igreja para ir ouvir os decimeiros, e havia quem levasse as cadeiras de casa (Francisco Fonseca) pois nunca se sabia se ia demorar ou não, pois como não havia inscrições prévias, o momento poderia ser curto ou longo, dependendo de quem quisesse dizer as décimas. No largo da Festa já estava então uma Banda Filarmónica, que de há uns anos a esta parte tem sido a Sociedade Filarmónica 1.º de Abril Vimieirense, fundada em 1922. Com a praça cheia de gente, eram apregoadas as décimas. O apregoamento das décimas era o chamamento aos decimeiros. Atualmente é uma pessoa da Comissão de Festas que cumpre esta função pegando numa cadeira, erguendo-a no ar e em voz alta pergunta: “Quem quer usar a cadeira?”. Muitos recordam o “ Ti Birra” cumprindo este ritual, pois as décimas que hoje se dizem de um palanque montado para o efeito, foram durante muito tempo, ditas de cima de uma cadeira. Feito o chamamento a que ocorriam mais ou menos decimeiros, dependendo da vontade própria de cada um, dava-se início ao desfilar de décimas e decimeiros. Na sua maioria homens.

A participação feminina ganhou mais força no tempo da guerra do Ultramar (Genésio Pontes) mas já antes havia uma ou outra mulher que dizia e fazia décimas, como a Maria Rita Mirador, nascida em 1899, referenciada por Modesto Navarro (p.83), no seu périplo pelo Alentejo em 1976. No final de cada décima, a Banda Filarmónica, tocava um trecho musical muito curto e lançavam-se foguetes! Sendo que atualmente apenas é tocado um trecho musical e lançados os foguetes no fim da apresentação de cada decimeiro.. Está tudo muito caro (Genésio Pontes, 2022)
Até ao ano de 2015/2016 as décimas eram ditas em frente a um pendão que já não era o original ( Ver décimas de Francisco Fonseca, 2009) sendo substituída, nesta altura, pela própria imagem da Santa, que nesse dia sai do altar e é colocada sob uma mesa, devidamente ornada, debaixo do arco da Igreja (Imagem 5)
Não há memória de que as Festas alguma vez tenham estado em risco de desaparecer, não obstante uma ou outra paragem, curta. Francisco Fonseca tem ideia de uma paragem, logo após o 25 de Abril de 1974, talvez em 1976, mas que logo foi reativada por um grupo de rapazes que haviam regressado do Ultramar e que, com o apoio de outras pessoas, logo foram reativadas…….