Rita Inácia Chaveiro Nogueira nasceu em Igrejinha, no dia 7 de Março de 1944, mas só foi registada no dia 10 e por isso adotou esse dia como data oficial de nascimento, porém celebra ainda hoje, o seu aniversário na data correta. Viveu na Igrejinha até aos 20 anos, altura em que casou e se mudou para as Ilhas, também no concelho de Arraiolos e onde ainda reside.
Frequentou a escola primária, até à 3ª Classe, tendo feito depois o respetivo exame final, como era prática do sistema educativo na altura.
Dos tempos de escola, traz bem viva na memória, ainda, a malvadez de uma sua professora que por ter umas unhas tão grandes não puxava as orelhas aos alunos. “Era muito bruta! Arranjou uma ponteira enorme para nos dar com ele, sem se levantar da cadeira”.
A Rita saiu da escola aos 12 anos de idade, e tal como muitas raparigas da mesma condição, foi trabalhar para o campo. “Com uns taimancos mal-amanhados, porque a pobreza era tanta… e um chapéu remendado, que era do meu pai, e que ele arranjou na copa, para não entrar água, com uma tinta própria, usada para arranjar os carros de parelhas. Não gostava nada daquele chapéu!”.
Continuou a sua vida a trabalhar no campo e como o ódio àquele chapéu era tanto, uma vez, propositadamente, deixou-o cair na fonte, para forçar o pai a comprar-lhe um novo. O que aconteceu! “Ainda ali o tenho!”
Das Festas em honra de Nossa Senhora da Consolação tem várias recordações, mas não se lembra se havia décimas ou não. Relembra esse tempo sobretudo por ser uma altura em que “moças feitas, ofereciam fogaças, nas Festas”. As fogaças eram simples, sem enfeites, apenas tapadas com um pano branco, a que chamavam panal. “Levavam tachos de barro com comida e tudo”.
Nunca escreveu as décimas que dizia. Faziam-nas para ela dizer. Em tempos teve um tio que lhe escreveu algumas e já tem outras encomendadas a um parente, para o próximo ano. Hoje a memória já lhe falha e tem de as ler. Mas tem memorizado a primeira décima que disse, em frente ao pendão, não por razão especial alguma, mas porque queria muito ir dizer décimas à Santa.
“É esta a vez primeira
Que subo a este lugar
Para vos saudar
Que sois a minha padroeira…”