Décimas à Senhora da Consolação
2023
VisualizarMaria José Oliveira Antas Mirador, nasceu em 1945, no Monte das Paredes, freguesia da Graça do Divôr, concelho de Évora.
Tal como muitas crianças da sua geração, a frequência escolar era irregular ou nula. Esteve matriculada na escola dois anos, porém o número de aulas em que esteve presente perfaz apenas um ano de instrução.
Forçada a abandonar a escola definitivamente para tomar conta dos irmãos de forma a permitir que a sua mãe trabalhasse a Maria José encontrou nessa mágoa, a força para se auto instruir. “Tudo o que faço na vida sou autodidata” refere
Aos 11 anos de idade foi ceifar para o campo. “Era um piolhinho” diz.
Dadas as circunstâncias sócio-económicas a Maria José, trabalhou em vários montes, passou por várias herdades, na ceifa e outros trabalhos do campo. Ela, a família e “uns poucos tralhambecos” que tinham. Estando a trabalhar num monte e sabendo seu pai que noutro monte “pagavam mais um escudo” era razão suficiente para se deslocarem.
Durante a sua juventude, teve a sorte de encontrar trabalho dentro de casa, na Herdade da Comenda Grande, ali perto. Onde recebeu conforto, carinho, reconhecimento e gratidão e construiu amizades durante os largos anos que ali trabalhou. Foi precisamente na Comenda Grande que Maria José conheceu e namorou o homem com quem casou há 60 anos. O seu marido, nascido ao pé da Igreja da Igrejinha, tal como o seu pai, sempre trabalhou nas Comendas e o seu filho prossegue atualmente esta devoção familiar à Herdade.
Até há 11 anos atrás, a Maria José conhecia as Festas à Senhora da Consolação apenas, por ouvir falar nelas. Desde muito nova que ouvia comentar a Festa, inclusive ao seu marido que as frequentava em solteiro, porém nunca havia tido a oportunidade de participar.
Católica praticante, a Maria José, desde a sua primeira ida às Festas de Nª Srª da Consolação, logo se rendeu à festa e ao ritual décimeiro. A partir desse momento ela própria começou a escrever décimas mas foi guardando na gaveta, por não sentir confiança e não ter coragem em apresentá-las publicamente. Até que em 2022 participou pela primeira vez na Festa, como decimeira e foi dessa forma humilde que transpôs para as décimas essa mesma insegurança, hoje ultrapassada, dirigindo-se à Nossa Senhora da Consolação dizendo: “Pensava não ter coragem de estar aqui à tua frente”.
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